quinta-feira, 28 de julho de 2016

compota de ora pro nobis

Essa publicação é muito especial, quase uma narrativa fotográfica. 

Os doces são cheios de historias. As compotas  e geleias nasceram para conservar por mais tempo as frutas sazonais evitando o desperdício, que nada mais é que a fruta cozida e servida com o próprio líquido do cozimento e açúcar.
A tradição  dessa herança cultural foi trazida pelos portugueses. Com a falta de tempo as pessoas esqueceram esse hábito e passaram a escolher versões enlatadas, mais praticas porem nada saudáveis.

Pensando em  resgatar essa preciosidade e ouvindo minha intuição sobre os frutos do ora pro nobis (Pereskia aculeata) que apareceram em abundancia sobre o telhado da casinha do fundo do quintal iniciei esse missão.

Vale dizer que a intuição vinha quando visualizava aqueles inúmeros frutos, me perguntava o que eu podia fazer com eles, a resposta veio num sonho, eu subia no telhado, colhia, colhia e eles nunca acabavam. Ouvia também uma pessoa (que acho, era eu mesma) dizer que eu tinha outras coisas pra fazer e que aquilo não valia a pena. Mas acordei decidida que iria de colher os frutos e essa era a parte mais difícil, pois o local era quase inacessível, tinha também o risco  de me machucar com os espinhos ou cair do telhado que era um brasilite velho.
 
Subi a primeira vez por uma escada e desisti na primeira dolorida espetada dos espinhos, mas não era   de fato  uma   desistência.
Fui atras de uma luva de raspa de couro, afiei meu alicate de poda e subi  novamente rezando (ora pro nobis). Foram inúmeras subidas, realmente eles não acabavam. 

Depois foi a fase da a 'terapia dos espinhos' juntei os galhos dos frutos, musica tranquila, uma almofada no chão pra sentar e meditar separando frutos verdes dos maduros com o alicate, estacas e folhas de outro lado, o restante, deixei secar e foram combustível pra uma fogueira.  
Foram dias de trabalho, cada fruto verde ou maduro tem em média de 5 a 7 espinhos. Depois  de limpos, não é que esse aqui parece até sorrir.
Das poucas pesquisas que achei na internet todos diziam que o fruto era menos nutritivo que as folha, então no final do cozimento adicionei algumas folhas verdes. Levei as primeiras amostras da compota para um grupo coordenado pelo engenheiro agrônomo Osmar Diz da CATI Campinas, que me quem  deu uma muda/estaca há uns dois anos atras. A compota foi aprovada.  Surgiu assim, docemente,  a nutritiva compota de ora pro nobis. 
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Deu  pra fazer também conserva com os frutos verdes, que se passa facilmente por azeitonas. Nos mudamos dessa casa e  infelizmente tivemos que arrancar o pé de ora pro nobis,  pois a dona não queria nada no quintal alem de  grama.  Mas guardamos muitas estacas que estão plantadas em vários vasos aguardando o universo nos mostrar um  pedaço de terra plantar e colher mais e mais frutos, flores e folhas pois tudo do ora pro nobis pode ser usado, até  as abelhas adoram.